Como funcionam as apps de descontos, do lado do restaurante

As apps de descontos funcionam porque os custos de um restaurante são fixos: renda, pessoal e gás pagam-se com a sala cheia ou vazia, por isso meia conta às sete é dinheiro que de outro modo não existiria. Cobram por comissão, por subscrição ou por reserva, e limitam as ofertas às horas vazias.

A equipa editorial do Filotimo7 minutos de leitura

Um cliente vê um desconto. Um restaurante vê uma decisão sobre lotação, tesouraria e sobre quem entrará pela porta daqui a seis semanas. São problemas diferentes, e a distância entre eles explica quase tudo no comportamento destas plataformas.

Se compreender o lado do restaurante, em um minuto sabe dizer se uma oferta é sustentável, se a comida será a mesma, e se a casa ainda a fará para o ano.

Que estrutura de custos torna possíveis os descontos?

Grosso modo, o prato de um restaurante custa em ingredientes cerca de um quarto a um terço do preço de carta. O resto paga renda, pessoal, energia, seguros, equipamento e a vida do dono. Quase tudo isso é fixo: gasta-se quer alguém se sente quer não.

A consequência é contraintuitiva. Vender uma refeição a metade do preço não é vender com prejuízo: é vender com margem menor. O prejuízo verdadeiro é não vender nada, numa mesa que ali está de qualquer maneira. Todos os modelos de desconto na restauração assentam nessa única assimetria.

Quais são os três modelos e como distingui-los?

O primeiro modelo é a comissão: a plataforma leva uma percentagem da conta ao restaurante. Funciona, mas aperta a cozinha justamente quando ela já está a descontar, e é por isso que as ofertas financiadas por comissão tendem a encolher ou a desaparecer.

O segundo é a taxa paga pelo cliente: paga à plataforma pela reserva, e o restaurante fica com a sua conta descontada inteira. Os incentivos aqui são mais limpos — a plataforma é paga por encher mesas, não por extrair margem — e é o modelo do Filotimo, com uma taxa de serviço a partir de seis euros para uma pessoa.

O terceiro é a subscrição: uma quota compra acesso e as reservas individuais são gratuitas ou quase. Serve a quem sai muito e é mau negócio para o ocasional, e por isso a maioria das plataformas a oferece como complemento e não como substituto.

  • Modelo de comissão: o restaurante cede parte de cada conta. O mais barato para si, o mais duro para a cozinha.
  • Modelo de taxa: paga por reserva. Transparente, e o desconto é estável.
  • Subscrição: paga ao ano, as reservas são grátis. Só faz sentido se sai muito.
Três formas de uma plataforma de descontos ganhar dinheiro
ModeloQuem pagaO que faz ao restaurante
Comissão por pessoaO restaurante, por clienteLeva-o a descontar apenas as horas mais mortas
SubscriçãoO cliente, ao mês ou ao anoPremeia quem sai muito, fraco para o ocasional
Taxa por reservaO cliente, na reservaDeixa intacta a margem do restaurante; é assim que a Filotimo funciona
Perceba em qual dos três está antes de julgar uma oferta: explica os horários, as condições e a insistência da plataforma.

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Porque é que os restaurantes limitam as horas?

Nenhum restaurante desconta o seu sábado às nove, porque essa mesa já está vendida. O desconto só faz sentido nas horas cuja alternativa é o vazio, e na Grécia essas horas são o início da noite e a tarde dos dias úteis.

É também por isso que a restrição é bom sinal e não uma limitação. Uma plataforma que oferece cinquenta por cento a qualquer hora ou não está a ser honesta sobre o desconto, ou vende restaurantes incapazes de encher qualquer das suas horas — e para isso costuma haver uma razão.

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O que espera ganhar o restaurante?

O objetivo declarado é encher as horas calmas. O objetivo verdadeiro é que você volte a preço normal. Um restaurante que desconta terça-feira às sete compra uma primeira visita de alguém que talvez nunca o tivesse encontrado, e aposta que a comida faça o resto.

Essa aposta só compensa se a comida for a mesma. É a razão estrutural mais forte para confiar numa reserva com desconto bem gerida: uma cozinha que corta nos clientes com desconto gasta dinheiro a angariá-los e depois afasta-os ativamente.

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O que isto significa para a forma como a usa?

Trate o desconto como uma forma de experimentar restaurantes que de outro modo não arriscaria, e de ir mais vezes àqueles de que já gosta. São exatamente as duas coisas que o restaurante está a pagar, e é por isso que o arranjo se aguenta.

E continue a deixar gorjeta sobre o preço integral. O desconto sai do orçamento de marketing do restaurante, não do bolso do empregado. Custa-lhe uns euros e é a diferença entre ser um cliente bem-vindo e um cliente tolerado.

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As apps de descontos funcionam porque as mesas vazias custam mais do que as baratas. Percebido isso, as ofertas deixam de parecer suspeitas e passam a ser o que são: um restaurante a comprar uma primeira visita, na esperança de que a comida faça o resto.

De onde vêm os números deste guia

Escrito em Atenas pela equipa do Filotimo, a partir das ementas, dos preços e das reservas dos nossos restaurantes parceiros. Os preços mudam com a época e com a rua: cada número aqui é uma ordem de grandeza, não uma tabela de preços.

Perguntas frequentes

O restaurante perde dinheiro numa refeição com desconto?

Não. Os ingredientes são apenas um quarto a um terço do preço de um prato, por isso metade do preço de carta continua a cobrir a comida e a contribuir para os custos fixos. O prejuízo verdadeiro é a mesa vazia que substitui.

Que modelo é melhor para os clientes?

A taxa paga pelo cliente costuma ser a mais estável, porque o restaurante fica com a conta intacta e não tem motivo para retirar a oferta. Os modelos de comissão parecem mais baratos mas apertam a cozinha e muitas vezes encolhem com o tempo.

Vou ter pior serviço como cliente com desconto?

Num restaurante bem gerido não: todo o sentido do desconto é ganhar um cliente que volte, e um mau serviço anula isso. Se acontecer, esse restaurante percebeu mal a sua própria estratégia.

Gorjeta sobre o total com desconto ou sobre o total integral?

Sobre o integral. O desconto vem do marketing do restaurante, não do trabalho do pessoal, e deixar gorjeta sobre o que a refeição teria custado é justo e barato.

Porque é que os restaurantes não baixam simplesmente os preços?

Porque um preço mais baixo também se aplica às nove, quando a sala está cheia e a mesa se venderia de qualquer forma. Descontar só as horas calmas é a diferença entre encher capacidade vazia e oferecer dinheiro a clientes que já se tinha.

O restaurante perde dinheiro numa refeição a meio preço?

Normalmente não. Os ingredientes são cerca de um terço do preço, portanto uma conta cortada ao meio cobre-os e contribui para os custos fixos. O que não consegue é pagar-se duas vezes — daí a oferta desaparecer nas horas de ponta e nas noites mais cheias.

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