Corfu é a ilha grega que nunca caiu nas mãos dos otomanos. Quatrocentos anos de administração veneziana, depois francesa e britânica, deixaram uma cidade de arcadas e uma cozinha que fala outra língua do que o resto do país: canela e cravinho na carne, vinagre no molho, massa grossa no prato.
É a coisa mais interessante da mesa corfiota e a mais fácil de perder. O visitante que se senta no Liston e pede moussaka atravessou meia Europa para comer o prato que existe em qualquer aeroporto.
Segue-se o que pedir em vez disso, onde é bem cozinhado e quanto deve custar.
Porque é que Corfu não sabe ao resto da Grécia?
A diferença é histórica e não um capricho de cozinheiro. Enquanto a Grécia continental aprendia a cozinhar com produtos otomanos, Corfu pertencia a Veneza e abastecia-se dela: especiarias das rotas venezianas, vinagre e vinho em vez de limão, massa como base corrente de um prato.
O resultado é uma cozinha de molhos, coisa quase ausente do resto da cozinha grega. Um prato corfiota apura durante uma a três horas, leva cebola, especiarias e líquido, e chega com massa ou batatas — não com salada e pão.
- Canela e cravinho na carne: hábito veneziano, não erro do cozinheiro.
- Vinagre em vez de limão: a base do sofrito e de metade da cozinha corfiota.
- Massa grossa: a pastitsada serve-se por cima, não ao lado.
Que pratos corfiotas se devem pedir?
A pastitsada é o prato nacional da ilha: galo ou vitela estufados num molho de tomate com canela, cravinho e pimenta-da-jamaica, servidos sobre massa grossa furada. O sofrito é vitela num molho branco de alho, salsa, vinagre e vinho branco, comido com puré ou arroz.
Os dois pratos de peixe são o bourdeto e o bianco, e são opostos. O bourdeto cozinha o peixe num molho vermelho carregado de colorau e malagueta — tradicionalmente o rascasso — enquanto o bianco o cozinha num caldo branco com alho, limão e batatas. Peça um numa noite e o outro na seguinte.
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O que mais come a ilha, e onde se encontra?
Para além dos quatro pratos maiores, Corfu tem o noumboulo, um lombo de porco fumado cortado fino como um enchido, e o tsigareli, ervas silvestres salteadas com colorau. Nos doces há o mandolato, o nougat da ilha, e a sykomaida, figos prensados com ouzo e especiarias.
O mercado coberto abaixo da Fortaleza Nova é onde se vê tudo ao mesmo tempo: bancas de peixe, queijos, noumboulo e kumquat em todas as formas, com pequenas casas de pasto à volta a servir o prato do dia ao almoço. As aldeias do norte e do oeste, como Doukades e Pelekas, guardam as receitas antigas com mais fidelidade do que a cidade.
- Noumboulo: lombo de porco fumado, servido em fatias finas como meze.
- Tsigareli: ervas silvestres com colorau, prato de inverno e primavera.
- Mandolato e sykomaida: os dois doces que se compram no mercado e não na pastelaria.
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Quanto deve custar uma refeição em Corfu?
O Liston, o passeio com arcadas em frente à Spianada, é o passeio mais caro da ilha e o seu melhor sítio para um café. Cinquenta metros atrás começa Campiello, o núcleo veneziano com os seus kantounia, onde as mesmas receitas custam metade.
A terceira opção são Garitsa e as aldeias, onde a mesa é maior e a conta mais pequena. Onde quer que se sente, o primeiro turno por volta das sete está vazio, e uma reserva em hora calma através de uma aplicação como o Filotimo tira metade do preço da comida. A tabela dá os intervalos.
| Zona | O que esperar | Por pessoa |
|---|---|---|
| Liston e Spianada | Arcada, vista, café — e preços de vista | 26–36 € |
| Campiello | Kantounia, tabernas pequenas, pastitsada | 14–20 € |
| Garitsa | Marginal residencial, peixe, moradores | 15–21 € |
| O mercado, ao almoço | Prato do dia ao lado das bancas | 8–12 € |
| Doukades e Pelekas | Aldeias, receitas antigas, doses grandes | 13–18 € |
| As praias do norte | Vista de mar, ementa em quatro línguas | 22–32 € |
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Corfu é a única ilha grega onde o instinto certo não é "o que os locais comem" mas "o que os locais guardaram de Veneza". Peça pastitsada, sente-se nos kantounia em vez de debaixo da arcada, e feche com um kumquat.
De onde vêm os números deste guia
Escrito em Atenas pela equipa do Filotimo, a partir das ementas, dos preços e das reservas dos nossos restaurantes parceiros. Os preços mudam com a época e com a rua: cada número aqui é uma ordem de grandeza, não uma tabela de preços.