Creta tem uma cozinha que se aguenta sozinha, e é em Chania que ela se vê com mais clareza. A ilha ficou isolada o suficiente para guardar os seus próprios produtos — pão de cevada, mizithra, staka, ervas silvestres, cabra, azeite em quantidades que espantam o resto do mundo — e foi veneziana e otomana o suficiente para os cozinhar de maneiras que a Grécia continental nunca aprendeu.
O problema do visitante não é que os pratos se escondam. É que a ementa do porto abre com moussaka e souvlaki, ou seja exatamente o que também se come em Atenas, enquanto o boureki e os caracóis ficam na terceira página ou em nenhuma.
Segue-se a lista de onde vale a pena pedir, o sítio onde cada coisa é bem feita, e quanto deve custar.
O que torna a cozinha cretense diferente?
A cozinha cretense assenta em três coisas que o resto da Grécia usa menos: o pão de cevada em vez do pão comum, as ervas silvestres como prato por direito próprio e não como acompanhamento, e o leite de cabra em todas as formas — mizithra, anthotyros, graviera, staka. O azeite entra numa quantidade que ao início parece um erro e depois se revela a razão de tudo ligar.
O segundo traço é a ausência de molho. Um prato cretense tem em geral três ingredientes, lume e azeite, e confia em que os ingredientes sejam bons. Por isso a distância entre uma boa e uma má mesa em Chania é tão grande: um produto fraco não tem onde se esconder.
- Pão de cevada: a base do dakos, apenas humedecido e nunca deixado amolecer por completo.
- Ervas silvestres cozidas com limão e azeite: pedidas como prato, não como acompanhamento.
- Staka: a manteiga retirada do leite de cabra, pesada e rara fora da ilha.
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Que pratos pertencem a Chania?
O boureki primeiro: courgette e batata em fatias finas com mizithra e hortelã, cozidos em tabuleiro, e existe praticamente só em Chania. Seguem-se os kalitsounia — pastéis pequenos de mizithra doce, no forno ou fritos, com mel e canela por cima — e a sfakiani pita, uma torta fina de queijo vinda das montanhas de Sfakiá, servida sempre com mel de tomilho.
A partir daí a lista fica mais bravia. Os chochlioi boubouristi são caracóis fritos de cabeça para baixo em azeite com vinagre e alecrim; o apaki é porco fumado sobre folhas de salva; o gamopilafo é arroz cozido em caldo de cabra e acabado com staka, o prato dos casamentos cretenses. Nenhum dos três sai bem fora da ilha.
Onde se come: porto, Splantzia ou mercado?
O porto veneziano é um dos sítios mais bonitos do Mediterrâneo e um dos piores para jantar. A primeira fila de mesas em frente ao farol paga renda pela vista, o pessoal fica à porta com ementas, e a conta sai ao dobro do que custam os mesmos meze duzentos metros mais atrás.
Splantzia, o velho bairro otomano à volta do largo de Agios Nikolaos, é a resposta: cinco minutos do porto, mesas debaixo de plátanos e cozinhas que fazem cretense porque é ali que os habitantes comem. O mercado coberto de 1913 faz o mesmo ao almoço, e Nea Chora, a antiga aldeia de pescadores dez minutos a oeste, é o sítio do peixe.
- Splantzia: mezedopoleia cretenses em largos pequenos, a melhor relação entre cozinha e preço.
- O mercado coberto: pratos cozinhados e matéria-prima, aberto de manhã e ao almoço.
- Nea Chora: tabernas de peixe na praia, peixe ao peso, sem o prémio do porto.
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Quanto devem custar e a que horas ir?
Chania é mais barata do que o seu porto faz crer. Uma mesa de seis ou sete meze cretenses dividida por quatro fica em 13–19 € por pessoa em Splantzia, com o raki e o doce incluídos. O peixe é a única categoria que custa mesmo, e é pesado à sua frente antes de ir ao lume.
A hora pesa tanto como o bairro. As cozinhas abrem às sete e enchem às dez, por isso o primeiro turno está vazio — e é aí que vivem as reservas em horas calmas no Filotimo, que deixam a comida a metade do preço. A tabela abaixo diz o que pedir e quanto pagar.
| Prato | O que é | Preço |
|---|---|---|
| Boureki de Chania | Courgette, batata e mizithra, no forno | 6–9 € |
| Kalitsounia | Pastéis de mizithra doce, com mel | 4–7 € |
| Sfakiani pita | Torta fina de queijo com mel de tomilho | 3–5 € |
| Chochlioi boubouristi | Caracóis fritos ao contrário, azeite e vinagre | 7–10 € |
| Apaki com staka | Porco fumado com salva, pesado e salgado | 8–11 € |
| Gamopilafo | Arroz em caldo de cabra acabado com staka | 9–13 € |
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Chania recompensa o visitante que pede pelos nomes daqui em vez dos lugares-comuns gregos. Peça boureki antes de moussaka, sente-se em Splantzia em vez da primeira fila do porto, e deixe o raki fechar a mesa como a fecha em qualquer casa cretense.
De onde vêm os números deste guia
Escrito em Atenas pela equipa do Filotimo, a partir das ementas, dos preços e das reservas dos nossos restaurantes parceiros. Os preços mudam com a época e com a rua: cada número aqui é uma ordem de grandeza, não uma tabela de preços.